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Artesã de Nova Iguaçu faz bonecas que representam as diferenças

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Bem distante do mundo dos contos de fada e perto da realidade de muitas crianças. A partir de um desafio feito por uma psicanalista, a artesã Sônia da Silva, de 55 anos, mudou a sua realidade e de vários pequenos que enfrentam as limitações e preconceitos por causa de alguma deficiência ou característica. A confecção de bonecas inclusivas a curou de uma depressão adquirida após perder a audição do ouvido esquerdo, e tem ajudado a resgatar a autoestima de crianças e adultos. O mundo infantil dominado por personagens dentro dos padrões estabelecidos como normais dá espaço a bonequinhas com vitiligo, deficiência visual e auditiva, próteses e Síndrome de Down. E ainda cadeirantes, albinas e transplantadas.

A artesã, que começou a expor na Feira Iguassú e se inspirou em pessoas com alguma deficiência e atletas paralímpicos, faz sucesso com suas criações nas redes sociais. Sônia da Silva já foi professora em Florianópolis, Santa Catarina, mas teve que interromper a carreira por causa da perda de audição em um dos ouvidos.

— É preciso que as crianças com algum tipo de deficiência se sintam representadas. As bonecas fazem com que elas se vejam — defende Sônia da Silva. — Me inspiro também nos atletas paraolímpicos e faço estas bonequinhas por eles. Quero passar a ideia que todo mundo é igual, inclusive as bonecas. Infelizmente há o preconceito de algumas mulheres que proíbem as filhas de comprar as bonequinhas por elas estarem faltando uma perna. Gosto de conversar com a pessoa e entender seu problema para fazer uma boneca que a represente. Sonho ver minhas “meninas’’ e meus “meninos’’ (como são chamadas as bonecas) rodarem todo o Brasil e circular por todo o mundo.

Há 14 anos, ela foi morar em Nova Iguaçu. Em sua casa, no Jardim Iguaçu, a artesã montou o ateliê para confeccionar as suas bonecas. Sem nunca ter feito os brinquedos, a artesã aceitou o desafio passado pela psicanalista Ana Angélica Ferreira Couto, de 58 anos.

— No meu consultório, tinha necessidade de trabalhar as diferenças com as crianças. Resolvi usar as bonecas inclusivas, e consultei várias artesãs de Nova Iguaçu, no fim do ano passado. A única que fez foi a Sônia. Ela atingiu o meu objetivo, que é o de mostrar às crianças “ditas normais” que, mesmo com limitações físicas, as pessoas são capazes de tudo — explica Ana Angélica, que usa as bonecas no atendimento a seus pacientes.

Primeira boneca homenageou nadadora

A primeira boneca de prótese de Sônia da Silva, lembra, foi comprada por uma professora, que presenteou a nadadora paralímpica brasileira Camile Rodrigues, detentora de vários recordes nacionais e medalhista nos Jogos Parapan-Americanos de 2011, em Guadalajara. Ela ainda é conhecida por aparecer dançando na abertura do programa “Fantástico’’, da TV Globo:

— A Camile ficou muito emocionada e já fiz até bonequinhas com deficiência visual e roupa de balé para representar dançarinas com histórias de superação. Não queria ficar apenas nas bonecas simples, busquei algo mais, que pudesse fazer diferença na vida das pessoas. Vendi para São Paulo uma boneca com prótese para uma menina que perdeu uma das pernas, após lutar contra doença, e foi emocionante.

Além das bonecas com próteses de braços ou pernas, Sônia também faz as em cadeiras de roda. O equipamento é confeccionado por um senhor que desenvolveu o projeto a pedido dela. Já as próteses e muletas são feitas por Samuel, filho de Sônia que tem 17 anos e aprendeu a técnica com um artesão.

Moradora de Monte Mor, em São Paulo, a dona de casa Yara Regina dos Santos, de 36 anos, descobriu a bonequinha pela internet e se interessou pelo trabalho. Encomendou o artesanato para presentear a filha Sofia, de 5, no Dia das Crianças. A menina teve que amputar a perna no dia 19 de maio de 2018, após contrair uma bactéria causada por uma ferida na perna, ao levar um tombo.

— Eu achei diferente e veio em ótima hora. Para minha filha foi bom, pois todas as bonecas têm duas pernas. Já cortei uma perninha da Barbie para a Sofia ter uma boneca com a perna amputada igual a ela. Hoje, ela brinca, anda, pula, leva uma vida normal. Ela ama esta boneca e não costuma se desgrudar dela nem na hora de dormir. Um brinquedo como este pode mudar a vida de uma criança — afirma, em tom emocionado.

Boneca com vitiligo confeccionada pela artesã Foto: Guilherme Pinto / Agência O Globo

Sônia da Silva lembra que passou mal em 2004. Sentiu muita tonteira e náuseas e foi parar na emergência. Fez tratamento, mas nunca conseguiu um diagnóstico fechado sobre o que aconteceu. Um dia estava em casa, e, ao atender o telefone, descobriu que não estava escutando nada no ouvido esquerdo.

— Depois disso, queria voltar para a escola e dar aula, mas não consegui. Foi um período muito difícil. Perdi a lateralidade e precisava sair sempre acompanhada. Para uma pessoa que sempre foi independente e ativa, foi muito complicado. Entrei numa depressão profunda. Outro problema foi o esquecimento. Passei a ter muitos lapsos de memória e esqueço as coisas com frequência. Só melhorei com o artesanato. Hoje nem tomo mais remédio para a depressão — conta a artesã.

BONECA VITILIGO
Boneca representando o vitiligo. Foto: Jornal Extra

As bonecas de Sônia têm emocionado muita gente. Além dos modelos já existentes, ela atende a pedidos de encomendas especiais. A guia de turismo Elisângela Monforte foi às lágrimas quando viu as bonecas feitas por Sônia, e fez uma solicitação especial. Queria fazer uma homenagem para a tia dela, Maria das Graças, que já faleceu. A mulher era uma cadeirante e não tinha os braços.

— Minha tia era uma mulher forte, uma cadeirante que lutava pela inclusão e combatia o preconceito. Além disso, era uma artista. Mesmo sem os braços, ela pintava quadros colocando o pincel na boca — lembra Elisângela. — Expliquei a Sônia como era a deficiência da minha tia e ela confeccionou a boneca direitinho. Levei até uma foto dela. Fiquei bastante emocionada com o resultado do trabalho.

A Sônia Art’s fica no Jardim Iguaçu. O preço das bonecas varia de R$ 75 a R$ 170. Encomendas podem ser feitas pelo telefone: (21) 99482-9397.

Fonte: Extra
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