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MP investiga suposta interferência da milícia em julgamentos do Tribunal do Júri em Nova Iguaçu

O Ministério Público Estadual, através do GAECO (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado), está investigando a suposta interferência da milícia em julgamentos do Tribunal do Júri em Nova Iguaçu.
Entre os casos que poderia sofrer influência é o de Saílson José das Chagas, acusado apelidado de “Monstro de Corumbá”, por ter confessado, com riqueza de detalhes, a autoria de mais de 40 homicídios dolosos.
A suspeita fez com que a Justiça determinasse a realização do julgamento plenário no Tribunal do Júri da Comarca da Capital em vez de Nova Iguaçu. Salson e uma mulher foram pronunciados em 2017 pelo crime de homicídio tentado mas até agora não foram julgados em um processo aberto em 2016.
O crime a ser julgado ocorreu em setembro de 2014 quando uma mulher foi golpeada com vários golpes de facao no bairro Jardim Corumbá. A vítima conseguiu caminhar até a rua e foi levada por populares para um hospital. Sobreviveu. A comparsa de Saílson teria sido a mandante já que queria ficar com a guarda da filha da pessoa atacada.

Como surgiu a desconfiança

A desconfiança da interferência da milícia em julgamentos em Nova Iguaçu surgiu no dia 26 de abril de 2019 durante um evento realizado Juízo da 4ª Vara Criminal do município como parte do curso de formação, para que os jurados pudessem conhecer o IML do município e saber como são realizadas as necropsias e os exames de corpo de delito.
Na visita, uma suposta assessora ou estagiária da Defensoria Pública fez indagações em voz alta, na presença de todos os jurados, sobre processos que ainda estão pendentes de julgamento, utilizando argumentos que são capazes de persuadir e influenciar todo o corpo do júri.
Segundo os autos, a estagiária teria desqualificado não só investigação feita pela autoridade policial, como também a atuação do Ministério Público, além de levantar dúvida sobre a eficácia dos laudos periciais.
De acordo ainda o despacho judicial, essa assessora é investigada pelo GAECO por ter supostamente acompanhado uma jurada que havia sido “contratada” por um réu miliciano para a realização de uma perícia em favor da defesa.
Sailson confessou seus crimes em rede nacional. Ele explicou como escolhia suas vítimas, preferencialmente mulheres que entendia serem bonitas provocando nos moradores da cidade intenso temor.
O documento não fala qual seria a milícia que poderia ter influência nos processos. Na cidade de Nova Iguaçu, há várias áreas controladas pela Liga da Justiça, maior grupo paramilitar do Rio.

Outro caso

A Justiça também decidiu transferir de Nova Iguaçu para o Rio um outro julgamento, desta vez de um acusado de ser chefe de uma milícia na cidade e no vizinho município de Belford Roxo por considerar que haviam dúvidas sobre a imparcialidade da composição do Júri e da segurança dos jurados. A sentença sairia no dia 18 de março do ano passado e até agora o julgamento não ocorreu. .
O réu em questão foi denunciado em 2015 pela prática de homicídio duplamente majorado por motivo torpe e pelo recurso que dificultou a defesa da vítima e tentativa de homicídio.
O acusado, mesmo preso, continuaria liderando a organização criminosa, sendo certo que o poder, a ousadia, bem como a constante e extrema violência empregada por tal milícia, foram evidenciados.

Um dos delatores da quadrilha foi morto em Nova Iguaçu no dia seguinte ao seu depoimento. Nesse mesmo dia, um delegado que teve acesso direto aos áudios e transcrições das conversas interceptadas por decisão judicial da investigação em questão sofreu perseguição dos criminosos, ao conduzir seu automóvel, conseguindo fugir ao apontar um fuzil.

Fonte: Eu, Rio
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