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Famílias de alunos de Nova Iguaçu não recebem cesta básica prometida

Com quatro filhos, dois deles matriculados na rede municipal de Nova Iguaçu, a dona de casa Carolina Souza Paulino, de 25 anos, tem que fazer malabarismo para que todos, incluindo ela, o companheiro e a sogra, consigam se alimentar. Em abril, a prefeitura anunciou que iria distribuir cestas básicas para as famílias dos alunos da rede, que estão com as aulas suspensas desde 16 de março, devido à pandemia do novo coronavírus. Os produtos foram recebidos pelas famílias no dia 28 de abril, mas não houve mais entrega no mês seguinte. Para muitos, essa é uma ajuda essencial para matar a fome diariamente.

— O auxílio emergencial ajuda, mas não dá para tudo. Tivemos direito a R$ 1,2 mil, mas só meu aluguel é R$ 600. Fiquei contando de receber a cesta básica da prefeitura no dia 28 de maio e nada de chegar. Café da manhã aqui é só café puro. Às vezes, um amigo que tem padaria doa pães. Almoço é feijão, arroz e um pouco de ovo, quando tem — contou Carolina, cujos filhos, de 10 e 6 anos, estudam, respectivamente, nas escolas municipais Herbert Moses e Maria Eliondas dos Santos, ambas no bairro Cobrex.

Na terça-feira, a prefeitura anunciou, em seu perfil no Facebook, que famílias com filhos estudando na rede municipal receberão cartão-alimentação, que poderá ser utilizado em mercados. O aviso diz ainda que os diretores escolares vão entrar em contato com os responsáveis para confirmação de seus dados pessoais.

Enquanto o socorro mão chega, o prestador de serviços Michel de Lima Ferreira, de 39 anos, conta com ajuda de parentes para colocar comida em casa. Ele mora com a mulher, duas enteadas e o filho, com idades entre 10 e 12 anos.

— A primeira doação pela prefeitura foi uma coisa que a gente não estava esperando. Ontem tinha acabado arroz e só tinha meio quilo de feijão. Tive que ir na minha mãe pegar alguma coisa com ela. Hoje fui tentar receber o auxílio, mas ainda não estava liberado — lamenta Michel, que também recebe por comissão:

— Depois que começou a quarentena, perdi muitos clientes, porque eles também não estão trabalhando. Além de panfletar, vendo proteção veicular. Tenho uma meta de fechar dez contratos no mês. Se não bater, não recebo nada. O que mais me dá tristeza é quando saio para trabalhar e não consigo vender nada.

Falta de internet também é barreira para as crianças

Como não têm acesso a internet em casa para fazer as aulas online, muitas famílias do município, com alunos matriculados na rede, dizem que precisam pagar R$ 15 pelo material impresso. Michel contou que só conseguiu pagar a impressão de uma apostila, para uma das enteadas, ainda no mês de abril.

Outras alunos sequer tiveram acesso a esse material. Jaciara de Azevedo Cunha Perez, de 54 anos, tem uma filha no 6º ano e uma neta no 5º ano, na Escola Municipal Herbert Moses. Ela disse que as meninas não receberam conteúdo escolar nesse período:

— Não tenho computador, estou desempregada e há três meses sem internet em casa. Como minha filha e minha neta vão fazer para estudar?

Por nota, a Prefeitura de Nova Iguaçu disse que a primeira fase da distribuição das cestas básicas terminou no dia 14 de maio, e que a segunda deve começar no fim deste mês. A distribuição dos produtos será feita por meio de um cartão-alimentação. São os próprios diretos da rede educacional que estão coletando os dados das famílias para a emissão dos cartões. Depois, um cronograma de entrega será feito.

Sobre as apostilas, a prefeitura afirmou que “as atividades são feitas no caderno”, sem a “obrigatoriedade de impressão do material”. Afirmou ainda que as atividades remotas são apenas complementares, e que irá avaliar os alunos quando as aulas voltarem para traçar um plano pedagógico.

Fonte: Extra
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