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Cresce o número de vítimas do “Golpe dos 10 Minutos” em Nova Iguaçu

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Bateu aquela fome e ai você pega o seu smartphone e lá está o ícone do Uber Eats logo na tela inicial. Como de costume você já clica e escolhe o restaurante que irá saciar a sua vontade. E nesta pandemia, seguindo as recomendações das autoridades sanitárias, você escolhe fazer o pagamento por meio do próprio aplicativo usando cartão de crédito ou débito.

Até ai, de acordo com pesquisa realizada pelo instituto QualiBest, é a mesma operação que 81% dos internautas brasileiros já fizeram e assim como você, 61% deles realizaram o pagamento com cartão de crédito ou débito. Só para se ter uma ideia, uma pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) apontou que o número de pedidos de comida via aplicativo gira em torno de R$ 1 bilhão a cada mês, e o setor já movimenta em torno de R$ 11 bilhões a cada ano.

Só que, atraídos por essa grandeza de números e diante da fragilidade na segurança e a dificuldade de atendimento proporcionada, principalmente, pela Uber Eats, golpistas estão aproveitando para ganhar dinheiro fácil em cima dos consumidores. E o novo golpe, já batizado de “Golpe dos 10 minutos”, vem fazendo novas vítimas a cada dia em Nova Iguaçu.

E o alvo são pessoas que na busca por evitar contato com dinheiro e minimizar o tempo de exposição aos entregadores, optam por fazer os pagamentos diretamente nos aplicativos, onde os valores são debitados do cartão de crédito ou diretamente da conta corrente.

A história que abre a nossa matéria foi vivida pela dona Arminda. Neste domingo (19), ela resolveu saciar a sua fome fazendo um pedido junto ao restaurante Crepetapi Creperia e Tapiocaria, localizado em Mesquita. De acordo com ela, o pedido seguiu os procedimentos habituais do aplicativo e pode ser acompanhado até o momento em que, para a sua surpresa, recebeu uma mensagem informando que o pedido havia sido cancelado:

“Estranhamente apareceu no meu smartphone a mensagem que o entregador teria cancelado o pedido por ele ter ficado esperando na minha porta por 10 minutos. O que não é verdade. Estava em casa o tempo todo, tenho interfone e nem sequer ouvi buzina alguma. Tenho câmeras instaladas e mesmo para tirar dúvida, fui checar as imagens e não vi ninguém na porta. Uma vergonha isso”, revolta-se.

Imediatamente, Dona Arminda, orientada por familiares, busca fazer contato com a Uber Eats, só que a empresa não oferece nenhum canal de atendimento imediato, apenas há um sistema de suporte, em que o cliente envia uma mensagem relatando o problema, só que a resposta sequer tem prazo para ser dada.

Arminda também tenta contato com o restaurante Crepetapi Creperia e Tapiocaria, que confirma o envio do pedido e que o entregador fez o cancelamento:

“A proprietária, Denise Figueira, imediatamente me respondeu e demostrou querer me ajudar, inclusive me disse que não é o primeiro caso que acontece na loja dela. Se comprometeu a enviar um email para a Uber Eats contando o ocorrido para que a empresa faça a restituição dos valores”, contou Dona Arminda.

Sem resposta da Uber Eats, a sensação de indigestão é imediata, e é o fim de uma noite que deveria ser tranquila e divertida. Fique atento, caro leitor: há um novo golpe que está sendo aplicado nos clientes de delivery de comida.

Respostas

A Uber respondeu através de nota que possui medidas de proteção contra fraudes:

A Uber esclarece que possui medidas de proteção contra fraudes de entregadores parceiros ou usuários. O sistema de avaliações dos parceiros, feitos pelos usuários, é a maneira mais prática e eficaz de mensurar a qualidade do serviço que está sendo prestado. Parceiros com sucessivas avaliações negativas podem, inclusive, ter as contas desativadas da plataforma. Parceiros que descumprem os Termos de Uso da plataforma (por exemplo, com seguidos cancelamentos injustificados, denúncias de extravio de pedidos ou tentativas de fraude) também estão sujeitos à desativação.

Além disso, o Uber Eats conta com uma equipe de suporte disponível 24/7, que analisa individualmente caso a caso. O contato pode ser feito pelo menu de ajuda do próprio app ou pelo site uber.com/ajuda.

Já o restaurante Crepetapi Creperia e Tapiocaria, através de sua proprietária, Denise Figueira, confirmou o pedido:

“Recebi hoje, dia 19/07 o pedido 124D8, da cliente Maria Arminda, no valor de R$ 26,80. O entregador veio, e retirou o pedido. Alguns minutos depois recebi a mensagem de que o pedido havia sido cancelado. O cliente entrou em contato comigo, pois estava aguardando o pedido em casa, quando percebeu que o mesmo havia sido cancelado, e o valor pago não estornado. Eu sei que irei receber pelo pedido, mas o cliente infelizmente fica numa situação complicada, Sem saber o que aconteceu, sem o lanche e sem o valor pago. Acho que principalmente o cliente deveria ser informado, e perguntado se o entregador esteve no local ou teve qualquer dificuldade para entregar o pedido”, informou.

Denise acrescenta ainda que Dona Arminda não é a primeira vítima do golpe:

“Já tive um caso parecido, quando o cliente veio ao meu restaurante buscar o pedido, pois não queria ficar no prejuízo. O motoboy alegou que o cliente demorou a atender, foi embora e cancelou. E o cliente ao entrar em contato com a Uber Eats, foi informado que não teria o valor estornado, pois o motoboy esteve no local. Nós do restaurante ficamos também numa situação difícil, perante o cliente que fica aguardando seu lanche chegar, achando que a culpa é nossa”, concluiu.

Justiça pode ser o caminho

DRA. MARINA MARINS
Dra. Marina Marins explicou o decreto 4.558/2020. Foto: Divulgação

Segundo a advogada Dra. Marina Marins Guimarães, pós-graduada em direito cível pela Universidade Anhanguera , delegada da Comissão e Defesa dos Advogados e Prerrogativas – CDAP  da 24ª Subseção Nilópolis da Ordem dos Advogados do Brasil, além de atuar no escritório Marins & Oliveira, o melhor caminho é sempre entrar em contato com a empresa para solucionar a problemática:

No caso em questão a consumidora solicitou o pedido de entrega de alimento perecível e aguardou o prazo de entrega. Por se tratar de aplicativo de celular há um mapa de localização que informa todo o percurso realizado. Quando a entrega chega ao destino, o consumidor é avisado pelo aplicativo ou em outras hipóteses recebe uma ligação informando que o pedido chegou no local. Não houve comprovação dessa comunicabilidade entre o aplicativo e a consumidora e pior, foi cobrado no cartão uma entrega não realizada.

Nesses casos, costuma -se cobrar a taxa de deslocamento somente, visto que o consumidor não poderá pagar por um produto e/ou serviço não consumido e/ou utilizado e não cobrar o valor total do acordado. O melhor caminho para o consumidor é entrar em contato com a empresa para solucionar a problemática e caso de não haver solução juntos empresa o consumidor poderá ajuizar uma ação junto aos Juizados Especiais Cíveis ou acionar o Procon de sua cidade.”, explicou a advogada.

Minoria prejudica a categoria

É importante ressaltar que a maioria absoluta dos entregadores é composta por trabalhadores sérios e honestos. Infelizmente, uma minoria aproveitou a oportunidade para planejar e aplicar golpes.

João Carlos é entregador há pelo menos três anos e conta que já soube de casos parecidos com a da dona Arminda:

“Infelizmente há pessoas que se aproveitam para ganhar dinheiro de modo fácil, isso acaba sujando o nome da categoria. Peço até que os clientes sempre avisem a Uber Eats sobre aqueles que estejam trabalhando de forma errada para que eles sejam banidos”, disse.

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